Os melhores vinhos italianos estão no Piemonte

O ditado é claro: a vida é muito curta para beber vinho ruim. Dito isto, nada como ir direto à fonte de alguns dos mais festejados rótulos entre os enólogos desse mundão. No PIEMONTE, região italiana cuja capital é Turim, sobra qualidade desde a vindima (expressão usada para a colheita das uvas) até a deliciosa degustação nos próprios vinhedos, muitos deles de pequenos produtores e com administração familiar, como é o caso da Fontanafredda, Ceretto, Villa Sparina, Vigneti Massa, Cossetti e Silvano Bolmida

Langhe e Roero ambas proclamadas como Patrimônio Mundial da Unesco por suas contribuições na vinificação — são áreas onde se concentram a maior parte das vinícolas. Com charmosos vilarejos ligados por estradas estreitas e paisagens de cair o queixo, incluindo fileiras sem fim de parreiras que acompanham o relevo das colinas, o lugar clama por tempo e calma. Refeições sem pressa que podem durar o dia inteiro ajudam a mergulhar na experiência de modo transcendental, algo semelhante a um exercício de mindfulness para iniciantes, já que você literalmente se sente parte do lugar e facilmente entra em modo de atenção plena.

A leveza da atmosfera é tanta que inspirou a criação do movimento Slow Food, nascido na comuna de Bra e que ajuda a promover uma maior apreciação do alimento, a qualidade das refeições e uma produção que valoriza o produto, o produtor e o meio ambiente. Não há dúvidas de que o destino é perfeito para quem curte as coisas simples da vida, mas não abre mão da culinária extraordinária e dos bons vinhos. 

REI DOS VINHOS, VINHO DOS REIS

A variedade produzida ali é conhecida até entre os mais leigos apreciadores: os tintos Barolo e Barbaresco, além dos brancos Cortese e Moscato. É possível escrever um dossiê bastante robusto sobre cada um deles. Foquemos nos tintos produzidos a partir da uva Nebbiolo, estrela local. É dela que nasce o renomado e irresistível Barolo, um vinho bastante nobre (em todos os sentidos) que amadurece por pelo menos 3 anos, incluindo 18 meses em barril. Precisa de cinco anos de envelhecimento para ganhar o título de Barolo Reserva, mais valorizado. Tem ainda como característica inconfundível o bouquet etéreo, repleto de pequenas frutas vermelhas, como framboesas e groselhas, cerejas em álcool, flores murchas, laca, especiarias, couro, pimenta verde, anis, noz-moscada e alcaçuz.

Já o Barbaresco é considerado irmão mais novo do Barolo. Tinto austero e pungente, com uma cor vermelho rubi quando jovem, mas que tende a adornar à medida que envelhece, ele é caracterizado por grande elegância, requinte de aromas e aquele charme etéreo e terroso que fazem do Nebbiolo uma das videiras mais amadas do mundo.

Alerta: é fácil se perder na volta para casa, portanto tenha em mente que a Receita Federal permite a entrada sem taxação de até 12 litros de bebida alcoólica por pessoa, o equivalente a 16 garrafas de vinho.

Tanto Barolo quanto Barbaresco harmonizam bem até demais com as massas curtas recheadas típicas da região, como o plin. Vão bem também com a variedade de pratos incrementados com a preciosa trufa branca, mais um tesouro encontrado em terras piemontesas e servido nos restaurantes estrelados de Alba, sede da Fiera Internazionale del Tartufo Bianco: La Piola, Piazza Duomo e Guido Ristorante, para citar alguns. 

Esqueça as grandes redes comerciais na hora da hospedagem. Além da escassez na oferta, faz mais sentido optar pelos hotéis de charme, normalmente localizados em prédios históricos ou de valor cultural, sem deixar conforto, privacidade e qualidade de lado. Tivemos uma bela experiência no Castello di Guarene, parte da coleção Relais & Châteaux. Um deslumbre no alto da colina. Vá entre outubro e novembro e peça ajuda ao concièrge para agendar uma experiência de caça às trufas brancas. 

Boa notícia: o turismo de massa que tem invadido praticamente todos os lugares paradisíacos do globo ainda não chegou (e dificilmente chegará) ao Piemonte. Aproveite!

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