Dobradinha na Patagônia argentina: El Calafate + El Chaltén

Depois de três horas de vôo desde Buenos Aires, a paisagem desértica da parte argentina da PATAGÔNIA ganha pinceladas azul-turquesa do Lago Argentino (o maior do país, com uma superfície de 1.560 km²), que contrasta perfeitamente com a vegetação seca e embeleza a chegada no aeroporto internacional da cidade. O cenário é deslumbrante, um tanto surreal, parece montagem. Para contemplar da melhor forma, vale lutar por um assento na janela, de preferência do lado esquerdo do avião. E se segurar para não tirar fotos na hora da aterrisagem a tentação é grande e as aeromoças estão bem treinadas para repreender quem tentar (#tenso).

El Calafate é pequena e vive essencialmente do turismo. Tem restaurantes bons, não excelentes (o prato de truta rosa do Los Canelos é light e gostoso; o de cordeiro patagônico é mais pesado, mas muito saboroso) e inúmeras lojas de chocolate e artesanato local espalhadas pela avenida principal, a Libertador General San Martín. Sorvete e outros doces à base de calafate, fruta que dá nome à cidade e tem um quê do nosso açaí, também estão por toda a parte.

A cidade é porta de entrada para o Glaciar Perito Moreno, um bloco de gelo gigantesco, do tamanho de uma cidade inteira, que tem origem no alto da Cordilheira dos Andes e fica dentro do Parque Nacional Los Glaciares. Para chegar ao mirante, são 80 km de estrada. Dá para ir de ônibus de linha (300 pesos), taxi ou excursão (1.000 pesos). Os valores não incluem a entrada no parque, que custa 150 pesos para brasileiros (os safados dos hermanos colocam o preço lá em cima para nacionalidades fora do Mercosul), nem o passeio de barco em volta da geleira (200 pesos). O programa dura metade de um dia se a sua intenção é apenas visitar a atração principal.

Quem optar por fazer algum tipo de trilha (a caminhada sobre o gelo é superinteressante, mas deve ser agendada com antecedência) e/ou acampar pode se programar para ficar mais tempo. Preferimos fazer isso no dia seguinte, na área do parque em El Chaltén. Verdadeira capital nacional do trekking, a vila está a duas horas de carro de El Calafate se destaca mesmo pelo ecoturismo, atraindo muita gente jovem, bonita, atrás de aventura e contato intenso com a natureza.

O caminho que leva ao Monte Fitz Roy é a mais popular: são quatro horas de caminhada (duas só de subida!) com direito a algumas paradas para fotos e outras para descansar. O cartão postal principal é realmente lindo, mas o mais legal é a experiência completa: os abismos, o ar puro, as calorias queimadas (bem importante haha!) e as pessoas que encontramos no caminho. Tem gente com muleta, senhor de idade, criança, famílias inteiras, casais de namorados, pessoas sozinhas por opção, alemães, americanos, belgas, franceses e pouquíssimos brasileiros. É o tipo de viagem que dá pra comer alfajor de doce de leite sem peso na consciência, e ainda emagrecer alguns quilinhos extras.

A novidade por lá é a mais recente unidade da rede que amamos EXPLORA, que fica dentro da reserva privada Los Huemules, com 5.800 hectares dedicados à conservação da flora e da fauna. Conta com apenas 20 quartos e mais de 30 explorações, com direito à observação do Fitz Roy de diferentes ângulos e caminhadas sobre a geleira Cagliero. Mal podemos esperar para conhecer assim que as fronteiras forem reabertas!

Visitas de dois ou mais dias a Torres del Paine, na parte chilena da Patagônia, é outra opção de programa. A cidade fica a seis horas de El Calafate. O melhor custo-benefício chegar ao Parque Nacional é de ônibus, pela empresa Cootra (as saídas acontecem sempre às 8:30 da manhã). Até existem passeios no estilo bate-volta, mas não vale o sacrifício — você passa tempo demais na estrada para ver montanhas e geleiras semelhantes às de El Calafate e El Chaltén. 

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