Luxo dos luxos em Marrakech: Royal Mansour

Dica número um para quem quer conhecer MARRAKECH: leve em consideração o mês da visita antes de confirmar passagem – os 26 graus de média no inverno já ficam quase insuportáveis no tempo seco, que ainda exige muuuito hidratante labial e corporal, além de colírio, se possível. A parte boa é o cabelo sempre alinhado, mas com necessidade (real) de uma bela máscara reparadora dia sim, outro também. Ir nas estações intermediárias, em meses como novembro e abril, é mais certeiro por dois motivos: a quantidade de turistas reduz e o termômetro fica mais ameno.  

Clima à parte, conhecer o Marrocos sempre foi um sonho de vida. O país estava nos top cinco destinos desde a adolescência, e o début aconteceu da forma mais perfeita possível, com hospedagem no hotel mais luxuoso de todo o continente africano: @royalmansour. O título não é aleatório; explico em detalhes. 

Para começar, a recepção não começa no hotel, mas no aeroporto. Antes do controle de segurança. NA PORTA DO AVIÃO! Um funcionário conduz o hóspede a uma espécie de fast track e, em pouquíssimo tempo, o passaporte está carimbado e as malas, em mãos. Do lado de fora, o motorista aguarda a bordo de uma elegantíssima Bentley com estofado de couro bege e equipada com água, balas de caramelo e jornais do dia, em inglês and francês, segunda língua mais falada depois do árabe. 

A estrutura do Royal Mansour é chocante desde o primeiro contato (no meu caso, pela noite) e revela-se ainda mais mais incrível na claridade do dia. Pomposo na medida, o cinco estrelas foi construído a pedido do atual rei, Mohammed VI, sem limite de budget ($) e com um objetivo bem claro: enaltecer o artesanato e a arquitetura marroquinas, destacando as habilidades históricas de seu povo. Para isso, não mediu esforços e empregou cerca de 1.500 (!) artesãos que levaram mais de três anos para finalizar todos os primorosos detalhes (leia-se mosaicos nas paredes e no chão, jardins de inverno, lustres de bronze).

O resultado veio em 2012: um hotel imponente como um palácio e com todos os elementos de uma autêntica Medina, motivo pelo qual dispensa quartos – conta apenas com 53 riads (palacetes marroquinos), cada um com três andares, duas salas, três banheiros (um deles equipado com banheira e três tipos de chuveiro), um jardim de inverno, dois closets e uma piscina no rooftop com vista para quase toda a cidade vermelha, como Marrakech é conhecida. Para os proprietários ilustres, a família real marroquina, um riad exclusivo e ainda mais espaçoso.

Entre ambientes, é o paisagismo do arquiteto espanhol Luis Vallejo que chama a atenção, sobretudo as tradicionais laranjeiras e figueiras locais espalhadas pelos cinco hectares de propriedade que ainda contam com quatro restaurantes: La Grande Table Marocaine, Sesamo, La Table e Le Jardin. Todos têm menu assinado pelo chef três estrelas Yannick Alléno e são abertos a não hóspedes. Indico demais o menu degustação do La Grande Table Marocaine, excelente introdução à culinária local. O único contra é o padrão elevadíssimo para os demais restôs, que ficam um tanto sem graça quando comparados ao restô. 

Apesar da localização mega central, a poucos passos da famosa – e caótica – praça Jemaa El Fna (aquela com encantadores de cobras, apresentações típicas e barracas mil de óleo de argan, lustres, especiarias e afins), a vontade é de passar o dia todinho usufruindo tudo o que o Royal Mansour oferece. Meu canto preferido? O Le Spa, com 2.500 m² dedicados exclusivamente ao wellness. Agrada não apenas quem ama massagem e hammams, mas também aqueles que apreciam o belo ou precisam relaxar profundamente. O ambiente é mágico e a arquitetura, única. Na entrada, a sensação é de estar dentro de uma magnífica e fotogênica gaiola gigante. Já a piscina de 22 metros é aquecida, coberta por vidros e rodeada por um extenso pomar de laranjas. 

Um dos poucos (bons) motivos para escapar do Royal Mansour é conferir o imperdível museu de Yves Saint Laurent, inaugurado em 2017 e com uma retrospectiva linda do estilista que teve por um bom tempo o Jardin Majorelle, que fica logo ao lado e é outro must go, como fonte de inspiração. Uma volta pela Medina, por uma ou duas horas, deve estar na agenda, assim como a visita aos dois principais palácios: Palais Bahia e o Palais El Badi. Se a fome bater, dois restaurantes sem erro para indicar: Nomad e Terrasse des Epices, ambos em rooftops. 

O Bacha Coffee merece parágrafo único. Trata-se de uma companhia marroquina de café que reabriu um espaço imperdível e incrivelmente bem decorado que estava fechado há 60 anos! Tudo em comemoração aos seus 110 anos. Adoro o combo café de qualidade + ambiente que faz os olhos brilharem.

Na volta, tire alguns minutos para conhecer a boutique do hotel com peças próprias e exclusivas como a babouche criada em parceria com a Louboutin e a bolsa bordada em parceria com a Goyard. Experiência mais chic desconheço! Tenho apenas uma constatação pós-Marrakech: ninguém sabe o que é luxo verdadeiro até conhecer o Royal Mansour.

COMO CHEGAR EM MARRAKECH
Os vôos diretos que saem do Brasil vão para Casablanca. De lá, é preciso alugar um carro ou pegar um trem até Marrakech. Outra opção (mais interessante, diga-se de passagem) é ir até Portugal ou Espanha, curtir um ou dois dias em Lisboa ou Madri, e partir em vôos diretos até o destino. 

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Royal Mansour, Marrakech, Morocco

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